
Já não podemos suportar o peso da religião. Não há como negar que adotar as condutas dela como forma de viver pode até ser moralmente bem visto e agrega um valor moral, mas durante a história da civilização isso gerou prejuízos incontáveis a humanidade. Temos inúmeros exemplos, principalmente se pegarmos a história de igreja inquisitória, que, por exemplo, matou milhares em nome de Deus e da missão equivocada de evangelizar.
Um pouco mais adiante, dentro de um ambiente social contemporâneo, essa imagem ainda não mudou. A igreja não conseguiu recuperar a mensagem inicial de Cristo, mas tem se tornado cada vez mais inquisitória, preconceituosa e indiferente. Em menos escala, mas tem.
Ter uma religião é associar sua imagem a um demonstrativo de superioridade em relação a aquele que não professa fé, entretanto, a luz da verdadeira realidade cristã, ir a igreja e cumprir com os preceitos cerimoniais não é indicativo verdadeiro de pertencer a Deus, pois um divindade que se faça real a condição da realidade humana não se expressa por meio da arrogância, da indiferença, da superioridade, da conduta moral, do orgulho, do castigo, da ostentação que a igreja moderna tem se afirmado.
Não podemos nos enganar. Ser religioso tem se tornado ser amigo dos sistemas humanistas, hedonistas, meritocratas, imediatistas, relativistas, é, por sua vez, se tornar inimigo de Deus.
Dentro desse contexto, fica difícil separarmos quem é o “lobo” e quem é o “cordeiro”, pois os dois apresentam a mesma aparência, a mesma faceta “santificada”. Eles sabem falar sobre a bíblia, são aparentemente “boas pessoas” do ponto de vista moral, são aparentemente impecáveis e irrepreensíveis, mas escondem por de trás um sistema cansativo e performático de evangelho falsificado.
Eles se parecem muito com a imagem de Deus, mas no fundo são cobras criadas prontas para atacar e arrancar tudo dos seus servos. Os inimigos de Deus estão infiltrados entre o povo Dele e logo captam a essência comportamental comum, e além de reproduzir de forma convincente as características desse grupo, são ótimos manipuladores, e usam principalmente da moral cristã (os mandamentos) e dos princípios (os valores) para contra-atacar a verdade absoluta do reino.
Essa classe de líderes travestidos da cristandade tem dominado boa parte da massa ditas cristãs, por simples motivos, claro que não consigo mensurar todos, mas captei alguns:
O tradicionalismo irredutível
O tradicionalismo engessa a possibilidade de questionamento. Muitas dessas referências de líderes não são sujeitadas a realidade do questionamento. Eles desempenham uma liderança déspota e centralizadora, que impõe leis aos fiéis e define para onde a doutrina e igreja vai andar. No cristianismo, é o caso do Papado, na igreja católica e do episcopado em algumas igrejas evangélicas. Lideres que não passam de ditadores de comportamento e se escondem dentro dos títulos e da ideia de representação divina para se afirmar. O problema disso é que ocupam o lugar no trono de Jesus e direcionam a igrejas a suas convicções, vontades, desejos, com certo ar “santificante”. Nem preciso mencionar que, “escolhido”, “santo”, “rei”, “líder”, “irrepreensível”, “inquestionável”, só há espaço para um: Jesus, o filho de Deus. O restante não pode exercer nenhuma conduta de perdoar pecados ou disciplinar alguém para santifica-lo. O tradicionalismo religioso sufoca a graça de Jesus na cruz.
A busca pelas “boas palavras” unida à fuga da realidade de morte
Há um movimento dentro das igrejas que se confunde a mensagem do evangelho com a mensagem do otimismo sem profundidade. Os tais “lobo” se baseiam numa teologia do sucesso para arrecadar membros e sustentar sua fortuna, e se esquecem de pregar o sacrifício que Jesus expõe em Mateus: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me” e a graça que vinha após isso. Há uma tentativa de levar uma mensagem “leve” aos ouvidos dos cristãos e deixa de expor a realidade de morte a qual o nosso pecado nos inseriu com Adão. O foco da mensagem não é a graça, mas a “sorte de bênçãos” que alguém pode atingir quando se rende a Cristo. Não tem mentira nessa mensagem, mas quando ela é enfatizada sem que mencionemos a realidade pecaminosa que somos, criamos uma negligencia e ocultamos um perigo a qual estamos expostos: Viver uma vida religiosa sem estar com Deus, sem ter relacionamento com ele e criamos uma relação de causa-benefício, transformando Ele em um meio de adquirir feitos, bênçãos, desejos e assim, caminharmos lentamente para a morte. Não se esqueça! Os inimigos de Deus são amigos dos desejos dos homens.
Falta de conhecimento bíblico.
Não conhecer a bíblia é o erro mais grave e mais corriqueiro que os cristãos praticam. Quem não conhece a bíblia não sabe se defender desses falsos cordeiros, pois sem entendê-la, são presas fáceis de der enganadas. Muitos cristãos têm sido enganados porque aceitaram as palavras desses homens sem consultar as escrituras, ou ainda, até consultam, mas não entendem o que leem ou se rendem a interpretação equivocada. Essa dificuldade é geral. A ignorância a respeito da bíblia tem levado muita gente a adotar teologias mais diversas e hereges possível.
Além disso, alguns de nós lemos a palavra, mas apenas superficialmente, não temos o hábito de contextualizar, entender, por isso aceitamos uma mensagem fora do contexto como verdadeiras. Alguns de nós saímos cheio de dúvidas da igreja simplesmente porque temos vergonha ou medo de questionar. Conheço bons cristãos, mas que estão perdidos na ignorância pela falta de conhecimento bíblico. Gente que tinha tudo para ser um bom cristão, submissão, obediência, boas obras, vida reta, mas se vendem ao evangelho maltrapilho pelo mau relacionamento com as escrituras. A bíblia em mãos e ouvidos errados é uma arma de heresias.
Pulando para fora da religião.
“Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.” Filipenses 3:18
De todos os males, o pior é quando nos entregamos a essa religiosidade que parece dar sentido, mas é vazia de significado. Uma religião que nos joga para cima, mas não acolhe na queda. Uma religião que é cheia de símbolos, mas pouca verdade. Uma religião que exalta gente, e diminui Deus. Uma religião que promete, mas não das consequências. Uma religião bonita e útil, mas traiçoeira e mortal. Lobos são letais, e se não nos atentarmos, seremos instrumento dessas pessoas, que tem cara de cristão, se comporta com tal, fala como tal, e até professa o Senhor, mas são ferramentas de Satanás entre a igreja.
Murillo Leal